Algo a mais na sua vida. Seja bem-vindo(a)!

Post Top Ad

Post Top Ad

Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens
12:44:00

As 2 opções.

(por .Fe.Mazi)

Vivemos numa realidade problemática. Isso é um fato. Um fato óbvio. Mas o que isso quer dizer? Por problemática, entende-se que vivemos uma realidade onde não temos respostas pra nada. Os fatos da vida nem sempre possuem sentido ou lógica. Como entender um acidente, uma tragédia? Como compreender a morte e seu porquê? Vontade de Deus? Um incontornável acaso? O rumo natural que a vida deve seguir? Consequência de nossas escolhas?

Cada um possue uma visão e uma opinião, seja essa influenciada por uma religião, uma filosofia, pelo histórico de vida da pessoa, por sua cultura, sua criação... enfim, cada indivíduo é partidário de um pensamento.

Mas independente disso, podemos resumir em duas as opções que temos. Podemos contemplar a realidade problemática com olhos de fundo positivo ou negativo.

Exponho aqui outro fato: estamos todos na mesma barca. Partilhamos da mesma realidade, seja qual for nossa opinião e filosofia, nessa barca existem aqueles que acreditam que chegaremos em algum lugar e outros que essa barca não tem destino algum.

Crentes ou não, estamos juntos nessa barca. Nossas duas opções consistem em acreditar que há algo para além da barca ou não. Dentro disso estão os ateus, os agnósticos e os crentes. Aqueles que negam, aqueles que não negam nem afirmam, e aqueles que afirmam. Mas afirmam ou negam o que? Bem, poderíamos resumir numa única palavra: Deus. ( e aqui tomo "Deus" no sentido mais amplo que a palavra permite.)

Finitude ou infinitude? Haverá consequências para além dessa vida ou podemos resumir tudo no famoso bordão, "aqui se faz aqui se paga!".....?

Mas talvez ainda exista uma terceira opção, a meu ver uma ingrata e insuficiente opção, mas ainda assim uma opção.
O melhor é não pensar pois isso angustia, o melhor é aproveitar. (Carpe Diem!)
10:50:00

Somos livres?

(por .Fe.Mazi)

Afinal, somos livres? Segundo as constituições, liberdade é o direito de ir e vir. Nos ônibus em São Paulo, por exemplo podemos observar o brasão com o seguinte escrito em latim: "Non ducor, duco" que quer dizer: Não sou guiado, guio. Então liberdade seria não ser guiado por ninguém, não agir segundo algo imposto por outrem e poder ir e vir de acordo com a própria vontade do sujeito.

Mas será que é assim? É possível ser livre se tudo as vezes parece ser contingente, incerto? Imaginemos que uma mãe quando grávida, sofreu um acidente e este causou sequelas na filha, que ainda estava no útero e esta nasceu paraplégica. Que liberdade este indivíduo terá?

Pois bem, mas não podemos resumir toda a esfera da liberdade ao fator físico. Santo Agostinho vai dizer que: "Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre." Ou seja, a pessoa deicididamente livre é aquela que, interiormente, sempre escolhe pelo bem, ainda que pela contingência da vida, esta não possua o tal direito de ir e vir, ou melhor, não possua as condições necessárias pra isso, como no caso de nossa vítima paraplégica.

O parisiense Jean-Paul Sartre (1905-1980) na obra O Ser e o Nada (1943) faz a mais instigante provocação existencialista, dizendo "Estou condenado a ser livre." Tal afirmação significa se ver humanamente obrigado a sempre fazer escolhas. O homem então angustia-se diante de sua condenação a liberdade. Sartre recusa todo determinismo e mesmo qualquer forma de condicionamento. Assim, ele recusa Deus e inverte a tese de Lutero, para este, a liberdade não existe justamente porque Deus tudo sabe e tudo prevê. Mas como deus não existe, a liberdade é absoluta. É o homem que, para se isentar da responsabilidade opressora de ter de fazer escolhas a todo momento que cria escapatórias, alienando-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo através de ideolofias e filosofias.

Enfim, o tema da liberdade sempre esteve em pauta na filosofia, e cada filósofo o abordou de uma maneira que acaba sempre por contribuir para os nossos questionamentos. Talvez o sentimento de liberdade seja até mesmo acordar um belo dia e dizer como Fernando Pessoa:
"Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!"

Este tema será tratado em nosso Capuccino Filosófico que acontecerá neste domingo dia 26, ás 16hs na Casa das Caldeiras, na Barra Funda, São Paulo. Aqueles que quiserem, e puderem, por favor compareçam. Bons questionamentos a todos!
11:38:00

A erótica.

(por .Fe.Mazi)

Alguns posts atrás escrevi sobre a filosofia platônica e o Mundo das Ideias. Algo em nosso mundo só é Belo, Justo ou Verdadeiro por que participa da ideia de Beleza, Justiça e Verdade que existe no Mundo das Ideias.

Á parte da filosofia platônica que fala sobre o amor é dado o nome de Erótica. Daí provêm a palavra erotismo, usada de forma tão pejorativa em nossos dias.

Á medida que o indivíduo vê algo e o percebe como belo, se inflama de amor. A beleza é o bem atraente. O Eros é um impulso, uma força que faz o indivíduo aspirar pelo mundo das ideias, onde contemplava o Bem, a Verdade, o Belo.

O eros se divide em graus:

a) mais baixo: o amor físico, o desejo de possuir um corpo belo para gerar outro corpo belo.
b) grau dos amantes: amor pela justiça, pela arte, pela ciência enfim, os valores da alma.
c) ápice da escala do amor: a visão fulgurante da ideia do Belo em si, do absoluto.

Ao tomar contato com o Belo, o indivíduo "recorda-se" do Mundo das Ideias, de quando contemplava claramente o Belo e as outras ideias. No caso específico da Beleza, isso se verifica de forma diferente e especial, porquanto somente a ideias do Belo recebeu o privilégio de ser "extraordinariamente evidente e amável".

O amor remetia ao Belo e surgia dele e este por sua vez remetia á algo maior, o absoluto, Deus.
Todos estes termos se justificam pela ótica platônica de que o corpo era prisão e a aspiração do indivíduo devia ser de se libertar de tal prisão. Nosso mundo nada é, aqui tudo é aparência, nossos valores devem ser remetidos á nossa origem, o Mundo das Ideias.

É interessante analisar os paradoxos que tal filosofia cria. Querer aplicar estes termos em nossos dias parece algo sem sentido, mas ainda assim não nos deve impedir de nos questionarmos que, enquanto Platão anula o corpo em vista da alma, nossa "filosofia" atual anula a alma em vista do corpo.

O que é a beleza para nós hoje? O que é o amor? Mais ainda, é possível falar em beleza e amor hoje......?

E não se esqueçam!

Capuccino Filosófico
Data: 26-07-2009
Horário: 16:00 hs
Local: Casa das Caldeiras - Av. Francisco Matarazzo, 2000 - Barra Funda - SP
Tema: A questão da Liberdade.
10:13:00

Algo a mais no seu paladar.

(por .Fe.Mazi)

Senhoras e senhores, moças e rapazes, pensadores de um modo geral, esse post é uma pequena nota informativa. Há alguns anos, nossa boa e velha TV Cultura vem exibindo o programa Café Filosófico, acredito que a maioria conheça e até acompanhe.

Muito bem, inspirados de certa forma pelo programa, mas alçando vôo com nossas próprias asas, criamos o Capuccino Filosófico! (sério mesmo....!) E nossa ideia é exatamente acrescentar um algo mais ao nosso paladar intelectual, além do já habitual cafezinho.

Tivemos nosso primeiro encontro em meados de Março, e nosso Capuccino que começou numa xícara bem pequena e modesta, meio constrangido, assume agora uma xícara um pouco maior com nosso segundo encontro, promovido pelo blog A Arte de Refletir.

Bom, piadas sem graça à parte, o objetivo de postar isso aqui é, claro, convidar os interessados e aqueles que tem condição de comparecer, já que o encontro será em São Paulo, e também inspirar outras ideias como essa. Promover encontros e grupos de discussão seja sobre filosofia ou outro assunto, enfim, crescermos juntos, partilharmos experiencia de vida e conhecimento intelectual, voltar aos primórdios gregos da Filosofia, onde grandes grupos discutiam a realidade e incentivavam o ócio como necessidade para o homem parar e se questionar.

O tema de nosso segundo encontro é: Somos livres? Nesse encontro pretendemos discutir a questão da liberdade e do livre-arbítrio. Como somos livres se tudo é contingente? Faremos uso de músicas, do Mito da Caverna de Platão e da célebre frase de Jean-Paul Sartre: "Estou condenado a ser livre."

Então aqueles que puderem e quiserem comparecer será uma honra recebê-los.

II Capuccino Filosófico
Data: 26-07-2009
Horário: 15 horas
Local: Sesc Pompéia.
11:07:00

A Arte de Platão.

(por .Fe.Mazi)

Platão, expoente filósofo e discípulo de Sócrates, via a Arte como aquela que esconde a verdade, corrompe e deseduca. Tal pensamento para mim é de certa forma revoltante, mas é necessário contextualizá-lo, para que não haja julgamentos equivocados.


A filosofia platônica explica a origem de nosso mundo através do Mundo das Ideias. Tal mundo se encontra acima do nosso e abriga o Demiurgo, um deus bom que não cria, mas plasma as ideias. Que ideias? As que se encontram no tal Mundo das Ideias. Ali estão a justiça, a bondade, a verdade, a beleza, ou seja, se algo em nosso mundo é bom é porque participa da bondade que existe no mundo das ideias, se alguém é belo, este não é por si mesmo, mas porque participa da ideia de beleza que existe no Mundo das Ideias, e assim por diante.

Sendo assim, nosso mundo é "cópia" do Mundo das Ideias. Fundamentado por sua filosofia, Platão diz que a Arte distancia o homem da Verdade, já que esta é "cópia da cópia". Imitação da imitação.

Além disso Platão prega que o artista quando produz uma obra entra numa espécie de "transe", não estando consciente de suas ações.

Platão nega que a Arte seja dotada de valor em si mesma, mas pode se salvar submetendo-se às regras da Filosofia.
11:02:00

Mentir.

(por .Fe.Mazi)

Semana passada li um artigo muito interessante sobre a mentira. Faço aqui uma síntese desse artigo.

Em primeiro lugar é necessário diferenciar mentira de erro. Uma coisa é cometer erros, outra é ter a intenção de enganar alguém. Sendo assim, se respondo errado numa prova, não estarei mentindo, apenas errando. Mas se faço por exemplo uma conta errada de forma a prejudicar alguém, com o intuito de lhe tirar dinheiro em meu proveito, estou mentindo. A mentira é uma fraude.

Só há mentira quando existe a intenção de enganar. Só há mentira quando existe um outro. A mentira cabe apenas na relação social, enquanto o erro pode existir fora da relação social. A mentira é o modelo de uma relação social perversa, deformada. Ela se opõe a relações sociais melhores, verdadeiras, genuínas e transparentes.

Mas será que podemos resumir tudo assim? Talvez o assunto seja mais amplo e complicado. Talvez pelo fato de que haja mentiras necessárias e mesmo boas. Exatamente! Eu sou obrigado a mostrar aos outros tudo que eu sou? A me expor completamente? Não. Sendo assim, meu dever de verdade está relacionado com o tipo de vínculo que tenho ou quero ter com aqueles á minha volta. Um vendedor tem o dever de ser verdadeiro com seu cliente apenas no que compete ao vínculo criado por sua profissão. Se seu cliente quiser saber algo sobre sua vida, o vendedor não precisa fazê-lo, e se o fizer, pode até mentir.

Alguém que é questionado por um assassino sobre onde sua vítima se escondeu, não tem o dever de ser verdadeiro. O assassino não tem o direito de saber sobre o que está sendo questionado, nem a pessoa tem a obrigação de lhe dizer, tornando-se cúmplice.

Enfim, a mentira tem a haver com as relações sociais que construo com as pessoas. Que tipo de relação e vínculo quero ter. Nada disso reduz a exigência da verdade com os outros nem consigo mesmo, mas tem a ver com a verdade pertinente ao meio social ao qual estou inserido, sou eu um vendedor honesto, um pai correto, um filho verdadeiro, um professor íntegro?
14:38:00

Sobre a vida...

(por .Fe.Mazi)

Houve uma corrente filosófica na Roma antiga, chamada de Cinismo. O fundador do Cinismo foi Antístenes, mas coube á Diógenes de Sinope tornar-se o símbolo desse movimento. Diógenes levou à radicalidade os princípios elaborados por Antístenes.

A essência do Cinismo era viver sem meta e satisfazer a própria animalidade, rejeitando as comodidades oferecidas pelo progresso. A felicidade do homem está em precisar de pouco para viver. Somos livres quando não precisamos de nada.

Diógenes de fato, vivia como um "cão" pela Roma antiga, perambulando na extrema miséria, tendo como únicos bens um alforge, um bastão e uma tigela, que simbolizavam o desapego e a auto-suficiência perante o mundo. Vivia segundo suas necessidades imediatas e expressava-se como queria. Aliás, tal aspecto era uma importante característica do Cinismo, a liberdade de expressão. Falar o que se pensa sem medo das consequências. Havia também a "Anáideia", a liberdade de ação, não ter vergonha de nada, de mostrar quem de fato é.

São inúmeras as histórias contadas sobre ele na Antiguidade. Um famoso episódio conta que Alexandre o Grande, ao encontrá-lo, teria perguntando o que podia fazer por ele. Da posição de Alexandre, este fazia sombra sobre Diógenes, que simplesmente responde-lhe: "Não me tires o que não me podes dar." Em outras palavras: "Deixe-me ao meu sol!"

Diógenes foi o exemplo radical da indiferença cínica perante o mundo, desprezava a opnião pública e dizia: "Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular."- manifestando assim um cosmopolitismo raro em seu tempo.
15:30:00

A vida sob a ótica Platônica.

(por .Fe.Mazi)

Para Platão, o corpo é o cárcere da alma. Existe nele uma concepção dualista. A alma pertence ao supra-sensível e o corpo ao sensível. Podemos usar a metáfora da prisão e do prisioneiro para ilustrar essa idéia. O corpo aprisiona a alma.

O corpo é causa de todos os males da vida presente, tudo o que é ruim vem do corpo. Sendo assim, na ética platônica, morrer é liberdade para a alma. Tal raciocínio encontra muitos adeptos nas diversas religiões. Mas em Platão há um certo radicalismo, desejar a liberdade da alma é desejar a morte do corpo.

A filosofia é então, "exercício de morte", claro, morte para o corpo. Mas por que? Se considerarmos que o filósofo é aquele que busca a sabedoria, o conhecimento verdadeiro, a verdadeira vida, isso tudo é sinônimo de morte para o corpo. Libertar-se do que oprime a alma e não a deixa alcançar a verdade.

É o conceito de "Fuga do Mundo". Essa fuga é exatamente o aproximar-se daquilo que é virtude e de deus (deus aqui simbolizando as realidades supra-sensíveis).

"Esse fugir consiste em nos assemelharmos a deus na medida de nossas possibilidades humanas. Assemelhar-se a deus é adquirir justiça, santidade e sabedoria." - nos diz Platão. Fugir do mundo é fugir do mal que o mundo representa, através da filosofia. O conhecimento purifica a alma. Conhecimento aqui não como informação apenas, mas como impregnação da consciência.

É conhecendo que cuidamos de nossa alma.

Num mundo extremamente materialista e finito, é interessante analisar tal raciocínio. Como o palpável, o visível perde seu valor diante de algo maior, a liberdade. Não o poder de ir e vir, mas a liberdade que alcançamos ao nos depararmos com a verdade absoluta, a meta do filósofo.
12:59:00

O destino do filósofo.

(por .Fe.Mazi)

Estaria o filósofo destinado á morte? Estaria já condenado simplesmente pelo fato de questionar? As pessoas aceitam que suas atitudes e costumes sejam questionados? Que o porquê soterrado sobre as regras e costumes impostos pela sociedade seja descoberto?

Platão idealizou o Mito da Caverna. Dizia que o mito vem suprir a insuficiência da razão e a estimula a pensar. Nesse mito, que se encontra na obra "A República", existem muitos elementos interessantes e, basicamente trata de como podemos nos libertar da escuridão e alcançar a luz da verdade.

No mito, pessoas se encontram aprisionadas numa caverna, estão acorrentadas e com seus olhos voltados para o fundo da caverna. Na abertura da caverna há a luz de uma fogueira que projeta as sombras dos objetos que passam fora da caverna. Resumindo, as pessoas ali aprisionadas só conseguem enxergar sombras, fragmentos da realidade, e ainda assim, uma realidade projetada por uma pseudo luz. Não a luz da verdade, simbolicamente o sol.

Nesse cenário, um dos habitantes da caverna consegue se libertar dos grilhões e sai da caverna. Observa a fogueira, os objetos e suas sombras que são projetadas. Alcança a luz do sol e percebe que a realidade que viviam era uma mera metáfora.

Abismado pela descoberta e desejoso de libertar seus companheiros ele volta. Mas não é bem recebido, os habitantes da caverna não querem encarar que a realidade que viviam até então é uma mentira. Não acreditam. Não aceitam e o matam.

O medo do desconhecido e a dificuldade em aceitar que viviam uma ilusão foi maior do que a vontade de se descobrirem, se libertarem. Não aceitaram a quebra de seus paradigmas.

Esta é a figura do filósofo. Aquele que se liberta de costumes impostos e de pseudo-realidades para libertar-se e assim, libertar aos outros. Mas isto é possível? É aceito?

Quantas vezes nos encontramos na figura do filósofo e nos questionamos até que ponto vale a pena tentar rasgar o véu que tantas vezes enconbre a verdade? Deve-se estar disposto a pagar o preço da exclusão, da indiferença e do descrédito.

Seria este o destino do filósofo? E sendo.... vale a pena lutar pela verdade num mundo de relativismos?
10:53:00

O Niilista.

(por Fe. Mazi)

Pode-se definir o Niilismo como ausência de valores absolutos, em outras palavras, cada um faz o que considera satisfatório e prazeroso para si mesmo.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844 - 1900), se intitulava o profeta do Niilismo, e dizia que este iria predominar o governo do século XX. Para ele, a democracia era uma forma medíocre de governo. O governo dos fracos.

Num certo sentido, o que Nietzsche profetizava, aconteceu. Pouco depois de sua morte, nasceu o Nacional Socialismo (Nazismo), que pregava a superioridade de uma raça superior, a raça Ariana.

Mas isso não ficou no passado. Somos testemunhas de que em nosso país, o que rege as coisas é a lei do mais forte, e não a moral ou a ética. Aliás, o que são essas coisas mesmo? Somos observadores do grande e sorrateiro Niilismo moderno. E ele está presente no campo social, estatal, político, privado, enfim, permeia nosso campo de existência.

Citava no artigo "O Agnóstico", o Niilismo privado, onde as pessoas simplesmente gozam da vida, o máximo possível, vivendo segundo um consenso inquestionável. No Niilismo "público", por assim dizer, vemos valer a lei do poder. E nossa mentalidade vem sendo educada desde criança, ao sermos bombardeados com a máxima da atualidade: "Pise pra não ser pisado!" - Nesse mundo é assim filho.

O importante é possuir. Interessante observarmos como a situação parece se voltar contra aqueles que pensam mandar em sua própria vida. Estes criticam os que ainda se fundamentam em algum valor, lhes rotulando de intolerantes e menosprezando sua postura ao negar a participação em determinada situação, já que para eles o certo ou o errado é só uma questão de convenção e concordância das partes. Pois bem, ao agirem assim se tornam nada mais do que vítimas da ditadura do poder, agindo conforme o consenso ditado pelos "mais fortes". Seguem como gados caminhando para o matadouro, guiados por seus benevolentes donos, que ditam seu modo de agir. E o mais triste, fazendo-os acreditarem que estão escolhendo os caminhos que trilham.

Passemos a questionar, diante do Carpe Diem que nos é oferecido diariamente. "O melhor é não pensar, pois isso angustia. O melhor é aproveitar."
11:04:00

O Agnóstico.

(por Fernando Maziviero)

Pode-se classificar as crenças e linhas filosóficas das pessoas, em pelo menos quatro pontos principais. Existem aqueles que acreditam em Deus e professam algum credo. Aqueles que acreditam, mas não professam nenhum credo, os deístas. Aqueles que são indiferentes á questão de Deus, este não lhes acrescenta nem diminui nada, algo como um indiferentismo religioso. Por fim, o ateísmo, aqueles que negam a Deus.

Dentre estes, o mais "praticado", por assim dizer, seria o indiferentismo religioso, o qual podemos chamar também de Agnosticismo. A origem dessa palavra vem de "gnose"(do grego), que quer dizer conhecimento, acrescentado do negativo "a". Em outras palavras pode-se traduzir Agnosticismo como desconhecer a Deus, não porque não se pode, mas porque não se quer.

O agnóstico possui certas características, muito visíveis em nossa sociedade. As principais seriam, a meu ver, o Voluntarismo, o Nominalismo, a Finitude, o Relativismo e o Niilismo.

Para o agnóstico, o importante é auto-realizar-se, independentemente de como isso se dará, tem a vontade como fundamento. É proibido proibir! A pior ditadura é a da consciência. Para ele não há natureza humana, não há o geral, existe fulano e ciclano, cada um com seus desejos e vontades. Na filosofia de vida do agnóstico existem duas éticas, a privada, tudo é ético a partir do momento que decido. E a ética pública, aceitar o consenso da sociedade. Resumindo, privadamente faça o que quer, publicamente, aceite o consenso.
Tudo para o agnóstico é finito e ele se contenta e se conforma com a finitude, daí se explica o porquê de se aproveitar ao máximo a vida, tudo acaba aqui, essa vida é tudo que temos. Carpe Dien!
Isso nos leva ao relativismo, tudo é relativo, verdades, mentiras, fundamentos, valores..... E já que cada um tem sua verdade, pode-se chegar a conclusão de que não há verdade. No relativismo nada é estável, somente a liberdade, identificada com a criatividade, espontaneidade e imaginação é que contam. A democratização da vontade!
Tudo isso pode desaguar no Niilismo (privado). Estes passam pela vida. Gozam de tudo, aproveitam tudo, mas vivem de expediente, segundo uma conformidade com um consenso que não questionam. Não há valores.

O problema do Agnosticismo é exatamente, o fato de que nele, o mal não é facilmente identificável, na verdade suas características são até sedutoras! Mas hoje em dia o Agnosticismo é mais agressivo que o ateísmo.

A partir do momento que não se tem fundamentos para nada, fica-se á mercê do grupo "impositor", ou seja, quem tem mais poder e autoridade impõe suas idéias ao demais. Não se tem um guia, não há mais norte para esses. Se colocam á deriva em um mar de consensos que vêm e que vão, pensando estarem aproveitando o máximo de suas vidas. Obviamente é mais fácil de aderir a esse pensamento, quando se está no auge da idade. Mas a falta de fundamentos cobra um preço caro no final da vida. O preço de se ter desperdiçado a vida, tendo a ilusão de tê-la aproveitado.
Postagens mais antigas Página inicial