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10:42:00

Segundo Freud.... (2º post)

(por .Fe.Mazi)

Segundo Freud, o próximo requisito cultural que se torna necesário é a justiça, ou seja, encontrar meios para garantir que a ordem jurídica estabelecida não seja quebrada para favorecer a um indivíduo ou grupo. E nesse momento não posso deixar de mencionar, em vista da situação política de nosso país, como tais meios para estabelecer a justiça estão corrompidos.

Enfim, o resultado de tal processo seriam as renúncias que os homens devem fazer, sacrificando suas satisfações pulsionais para alcançar certa regulação nos vínculos entre os homens. Em compensação, ninguém seria vítima de qualquer tipo de violência, ou de dominação.

Tendo em vista tais argumentos, vemos que o desenvolvimento cultural impôs aos homens certa limitação de sua liberdade. "A liberdade individual não é um patrimônio da cultura" - conclui Freud.

Uma das bases sobre a qual se edifica a cultura é a repressão da sexualidade. Assim, diz Freud, a cultura se comporta em relação á sexualidade como um povo que submete outro para explorá-lo. A sociedade então impõe exigências na vida sexual, tratando uniformemente os indivíduos, sem levar em conta as desigualdades na constituição sexual inata aos seres humanos.

E não é apenas a sexualidade que é reprimida, mas também a agressividade. De acordo com Freud, os impulsos agressivos fazem parte da natureza humana. A contenção da agressividade é buscada promovendo-se a identificação entre os homens, pela criação de vínculos amorosos de meta inibida entre eles e a partir da limitação da vida sexual. No entanto, a própria cultura reserva a si mesma o direito de exercer violência sobre aqueles que desobedecem suas leis.

Concluindo, tanto os impulsos agressivos quanto os sexuais são parte integrante da natureza humana, e não podem ser totalmente suprimidos como se não existissem. A limitação das possibilidades da satisfação de tais pulsões de vida, como diria Freud, produz um inevitável mal-estar, dependendo da capacidade de cada indivíduo de suportar a renúncia que lhe é exigida.
Freud termina seu texto com as seguintes palavras: "Hoje os seres humanos levaram tão longe seu domínio sobre as forças da natureza que com o seu auxílio será fácil exterminarem-se uns aos outros, até o último homem. Eles sabem disso e daí resulta boa parte da inquietude contemporânea, de sua infelicidade, de sua angústia."
11:15:00

Segundo Freud...

(por .Fe.Mazi)

Segundo Freud, "o propósito de que o homem seja feliz não está contido no plano da Criação." Ou seja, o homem está fadado a ser infeliz ou ao menos, não gozar de uma felicidade plena. No texto Mal-estar na Cultura, publicado em 1930, o pai da psicanálise Sigmund Freud (1856-1939), se pergunta o que os seres humanos querem alcançar na vida e responde que seu objetivo é atingir a felicidade e mantê-la. No entanto, conseguem apenas gozar de uma felicidade momentânea. Só podemos gozar o "contraste", nunca o estado.



Por exemplo, encontramos alguém muito amado e que há muito não víamos, nos sentimos muito felizes com isso num primeiro momento, mas essa felicidade logo se dissipa dando lugar á um sentimento menos intenso. Freud ainda discorre que se os momentos de felicidade são raros, os de infelicidade são bem mais frequentes e isso se dá através de 3 forças:
1- a partir do corpo, que destinado à ruína, não pode evitar a dor e a angústia;
2- a partir do mundo externo, que nos ameaça com suas forças hiper-potentes;
3- a aprtir dos vínculos com os outros seres humanos.

As duas primeiras são facilmente compreensíveis e até inevitáveis, embora possamos amenizar de alguma forma o sofrimento por elas causado. Já a terceira, embora pareça estranha e supérflua, nos enganamos ao julgar se tratar de algo que possa ser facilmente evitado. Segundo Freud, o passo cultural decisivo, no âmbito das relações entre os homens, teria sido a substituição do poder do indivíduo pelo da comunidade.

Em certo momento, o poder do indivíduo passa a ser condenado em vista do poder da comunidade, que se contrapõe a este como "direito". Não mais se pode satisfazer a própria vontade, mas deve-se ouvir a voz da comunidade (sociedade) sobre o que pode ou não se pode fazer. Como consequência, surge uma limitação das possibilidades de satisfação (dos impulsos agressivos e sexuais) que os membros da comunidade até então desconheciam.

Dada a extensão do tema, haverá um segundo post como continuação á este.
10:22:00

Não deseje a estabilidade.

(.Fe. Mazi)

Comumente nos classificamos em pessoas calmas, nervosas, alegres, e assim por diante. Esse acaba sendo um grande erro. Não existem pessoas ansiosas ou irritadas em todos os momentos, ao contrário do que muitos psicólogos e psiquiatras acreditam. Não existe estabilidade emocional.
Isso porque não há equilíbrio no campo de energia psíquica. Somente mortos seremos estáticos.

Claro, devemos caminhar e nos comportar segundo um certo padrão, senão seremos demasiadamente instáveis e isso poderia desencadear certos problemas. Mas nossa emoção será sempre flutuante.

Não deseje a estabilidade. Ela pertence aos robôs. Eles sim são simplistas e estáveis, incapazes de sonhar, se angustiar, filosofar.... enfim, criar.

Nosso campo de energia psíquica vive num estado contínuo de desequilíbrio e transformação. Por quê um momento feliz ou um momento triste se dissipa?
Porque inevitavelmente a energia psíquica da dor ou do prazer, passa pelo caos (desorganiza-se) e se reorganiza em novas emoções. Impossível interromper o caldeirão de ideias e emoções que fervilha em nós.

Os problemas nunca vão desaparecer, e estes existem para serem resolvidos. Devemos extrair lições de nossas aflições e fazer nosso sofrimento ter sentido.

Há mais de três milhões de pessoas, jovens e adultos, com transtorno do sono em São Paulo. Suas camas se transformam num campo de guerra: A guerra do sono. Levam todos os problemas e todo o lixo social que acumularam durante o dia para a cama. Não aquietam suas mentes e não descansam. O sono não é reparador, não repõe a energia gasta pela hiperprodução de pensamentos.

Pensar é bom, refletir é ótimo, mas pensar demais é um dos problemas que podem destruir a qualidade de vida de alguém.

O homem moderno padece do mal social. Das dez principais causas que têm adoecido o ser humano. sete são sociais. Medo do futuro, da solidão, do desemprego, insegurança.

As pessoas perderam suas defesas emocionais e se tornaram uma fábrica de estímulos agressivos. A educação moderna, apesar de muitas vezes ter ilustres professores, está falida como instituição. Os alunos passam anos e anos conhecendo o mundo exterior, mas são estrangeiros á si mesmo. A escola não os prepara para a vida.

Multiplicamos em nosso século, o conhecimento e construímos as mais diversas e modernas formas de ter acesso á esse conhecimento, mas nunca o ser humano foi tão estressado e desconfortável. Somos vítimas das promessas do séc. XXI.

Nossa meta é a felicidade. Mas ser feliz do ponto de vista psicológico, não é ter uma vida perfeita, mas saber extrair sabedoria dos erros, poesia das desilusões e coragem dos fracassos.
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