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Considerações sobre a vida
Para alguns, a vida é tudo; para outros, tanto faz, estão desiludidos
Alguns estão dispostos a tudo para voltar a viver; outros dão tudo
[para largar a vida
Há os que vivem para os outros; e os que criam o próprio mundo
[e vivem sozinhos
Existem os que dão valor as pequenas coisas da vida, mas também os que não [se contentam com nada
Alguns vivem um dia de cada vez; outros vivem todos em um único dia
Alguns vivem de planos e promessas; outros entregam tudo
[nas mãos do destino
Aproveitando a oportunidade, convido todos a participarem do nosso Capuccino Filosófico, a ser realizado no próximo domingo (26 de Julho) a partir das 16 horas na Casa das Caldeiras.
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 400 - Barra Funda - São Paulo - SP
A Dança
Com vocês... o próprio Pablo Neruda.
"Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono."Delírios de um inconformado...
A idade que tenho....a quanto corresponde...?
A quanto vivi? O quanto vivi....?
Vi de fato o que vivi.....?
O quanto estive acordado...
O quanto estive durmindo...
O exterior me dá pistas
De que minha sonolência é maior
Do que imaginei...
Quantos desacordados nem imaginam
Estarem durmindo.... Seria eu um desses....??
Observo tantas formas....de vida....divinas!
E sobre um movimento ondulante (hipnotizante)
De águas que parecem me querer convencer
De quanta vida há em si...
Me questiono, me preocupo, aflito me pergunto....
Subestimo os outros ou á mim...?
Qual a natureza do homem?
Há uma em comum?
A natureza de um bicho se nota...
Nota-se logo, d'onde vem e até onde pode ir....
Mas até onde eu posso ir?
Há uma pré-determinação a ser seguida?
Estamos fadados a desacordar todos os dias....?
Pensando assim....seria eu então uma falha no sistema...
Ou mais um que se julga assim?
Meu elogio á Arte....
Gravo-me nessa madeira
Madeira da vida, gravo-me nos sulcos que a goiva produz
Goivas afiadas por intempéries sem fim
Retrato-me nessa madeira de pesares
Reecontro-me....me perco....me acho...me gravo
Inicio meu diálogo
Dialogo com a tela
Tela que me fita
Que fita, encara, desafia-me
A tentar a primeira rima
Primeiro verso do meu poema
O poema a ser escrito nela.....escrevi antes em mim
Meus sentimentos têm cores
Meus dias manchados
Dias esculpidos...talhados
Com o cinzel da auto-punição
(ou da auto-piedade?)
Ataco o frio e rígido mármore, que sou eu
E sinto que preciso...preciso redefinir-me a mim mesmo
A cada dia eu preciso
Preciso sim me reinventar
Algo do artista em mim...não se cala!
Não pára de gritar!
Até o fim! Até o fim!
É assim...........
....................Meu amor ás vezes parece folha seca
de dia de inverno.................
Aquelas duras.....gostosas de se pisar..............
Antes flexível....................agora rígida..............
O que enrijeceu................??
Será que só a casca maltratada pela maturidade............?
Ou também o interior.............?
Tento sem êxito colá-la de volta ao tronco.............. só pra ser alimentada com um pouco mais de esperança........
É então que eu ouço passos ao longe...........
Me desespero e tento reanimar................
.............mas em vão............ CREC...........................!
Caos gritante
O gritante contraste contraditório da insana e perturbada merdópoles.
O gritante berra e suplica pra ser ouvido, entendido, atendido, mas.....
não encontra coração audível.
O pedinte suplica, o velho implica, a "muié" do HIV explica, o bêbado oras.....complica!
A criança descomplica e o pobre se aplica....
De resto..... bom, o povo, vítima ou culpado, se comporta (ou sem porta) se conforma, ou fica em forma de que...... pouco importa!
Mas a grande maioria, alienada, no nada do seu vazio. fúteis, inúteis, volúveis, flutuam infiéis em cruéis nuvens imaginárias de seu mundo separado, parado, abobado...... ah.......pior, pensam demais que são os mais......
O gritante chora e geme, sem ajuda sem auxílio. Nem recebem, nem têm quem os sustentem, nem dos mais e nem mesmo dos menos.
Olhos vidrados e trincados, se estilhaçam em cacos de navalhas de cortantes lágrimas, que perfuram o cinzento insensato, sem sentido, do asfalto acimentado.
O gritante contrasta na desgraça sem graça de um mundo......
que passa, que passa, que pas.........
Lamentações de um cidadão paulista.....
A cidade nos comprime.
Feito gados em direção ao matadouro, somos conduzidos por estreitíssimos corredores, e apertando-nos uns aos outros, num lento e hipnotizante caminhar, saímos desta intempérie para sermos enlatados em peçonhentos bichos de metal.
E se no meio você parar.....
Ah, se você parar......
Não queira parar....!
A diferença é que, ao contrário dos gados, não caminhamos para a imediata morte, pelo menos não física.....