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08:00:00

Soneto do Poder

Antes de tudo Ribamar, hoje José
Filho da ditadura! Neocoronel ele é
Roseana, minha filha, garante o dinheiro
Posso, meu querido Maluf, chamar parceiro

Medíocre escritor lugar na Academia tem
Comparsas exercem o poder que convém
No seu Maranhão de miséria sinto o cheiro
Morrem pessoas e castiga o Brasil inteiro

Censura no jornal até hoje é permitido
Quando meu Fernandinho pode ser ferido
Com Habeas Corpus não ocorre a prisão

Al Capone seu leal aprendiz seria
A Arte de Furtar, no Maranhão, ensinaria
O Senado, aos oitenta, tem em sua mão

Este é apenas um agradecimento e também uma dica a leitura do livro "Honoráveis Bandidos" de Palmério Dória, que relatou a vida do político e escritor José Sarney.
O livro, escrito no ano passado, relata as incríveis manobras para manter e garantir que a Quadrilha, digo Família do presidente do Senado se mantenha no poder, como ele conseguiu enriquecer em meio ao Estado mais pobre do país e também como garante tantos funcionários conhecidos em seu gabinete.
Recomendo este livro e peço, encarecidamente, que este ano de 2010 seja um ano de votos conscientes.
09:42:00

Considerações sobre a vida

(por Luciano Silvestre)

Para alguns, viver um dia é muito pouco; para outros, isso é uma eternidade

Para alguns, a vida é tudo; para outros, tanto faz, estão desiludidos

Alguns estão dispostos a tudo para voltar a viver; outros dão tudo
[para largar a vida

Há os que vivem para os outros; e os que criam o próprio mundo
[e vivem sozinhos

Existem os que dão valor as pequenas coisas da vida, mas também os que não [se contentam com nada

Alguns vivem um dia de cada vez; outros vivem todos em um único dia

Alguns vivem de planos e promessas; outros entregam tudo
[nas mãos do destino


Mas vivem!


Aproveitando a oportunidade, convido todos a participarem do nosso Capuccino Filosófico, a ser realizado no próximo domingo (26 de Julho) a partir das 16 horas na Casa das Caldeiras.
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 400 - Barra Funda - São Paulo - SP
09:00:00

A Dança

Bem, fazendo uso do romantismo que está no ar e não do comercialismo que existe em torno desta data, faço aqui uma pequena homenagem á um dos mais românticos poetas: o chileno Pablo Neruda (1904-1973). Importante poeta do séc. XX, foi cônsul do Chile na Espanha e no México. Foi lhe outorgado em 1965 o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford e em 1971 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

Com vocês... o próprio Pablo Neruda.

A DANÇA

"Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio

Ou flechas de cravos que propagam o fogo:

Te amo como se amam certas coisas obscuras,

Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva

Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,

E graças a teu amor vive escuro em meu corpo

O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,

Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:

Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim deste modo que não sou nem és,

Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,

Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Antes de amar-te, amor, nada era meu:

Vacilei pelas ruas e as coisas:

Nada contava nem tinha nome:

O mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,

Túneis habitados pela lua,

Hangares cruéis que se dependiam,

Perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,

Caído, abandonado, decaído,

Tudo era inalienavelmente alheio,

Tudo era dos outros e de ninguém,

Até que tua beleza e tua pobreza

De dádivas encheram o outono."
10:43:00

Delírios de um inconformado...

(por .Fe.Mazi)

A idade que tenho....a quanto corresponde...?
A quanto vivi? O quanto vivi....?
Vi de fato o que vivi.....?

O quanto estive acordado...
O quanto estive durmindo...
O exterior me dá pistas
De que minha sonolência é maior
Do que imaginei...

Quantos desacordados nem imaginam
Estarem durmindo.... Seria eu um desses....??

Observo tantas formas....de vida....divinas!
E sobre um movimento ondulante (hipnotizante)
De águas que parecem me querer convencer
De quanta vida há em si...

Me questiono, me preocupo, aflito me pergunto....
Subestimo os outros ou á mim...?
Qual a natureza do homem?
Há uma em comum?

A natureza de um bicho se nota...
Nota-se logo, d'onde vem e até onde pode ir....
Mas até onde eu posso ir?
Há uma pré-determinação a ser seguida?
Estamos fadados a desacordar todos os dias....?
Pensando assim....seria eu então uma falha no sistema...
Ou mais um que se julga assim?
10:14:00

Meu elogio á Arte....

Hoje é dia do Artista Plástico, então ofereço meu pequeno e modesto elogio á Arte e por consequencia ao Artista.

Gravo-me nessa madeira
Madeira da vida, gravo-me nos sulcos que a goiva produz
Goivas afiadas por intempéries sem fim
Retrato-me nessa madeira de pesares
Reecontro-me....me perco....me acho...me gravo
Inicio meu diálogo

Dialogo com a tela
Tela que me fita
Que fita, encara, desafia-me
A tentar a primeira rima
Primeiro verso do meu poema
O poema a ser escrito nela.....escrevi antes em mim

Meus sentimentos têm cores
Meus dias manchados
Dias esculpidos...talhados
Com o cinzel da auto-punição
(ou da auto-piedade?)
Ataco o frio e rígido mármore, que sou eu

E sinto que preciso...preciso redefinir-me a mim mesmo
A cada dia eu preciso
Preciso sim me reinventar
Algo do artista em mim...não se cala!
Não pára de gritar!
Até o fim! Até o fim!
21:29:00

É assim...........

(por Fernando Maziviero)

....................Meu amor ás vezes parece folha seca
de dia de inverno.................
Aquelas duras.....gostosas de se pisar..............

Antes flexível....................agora rígida..............
O que enrijeceu................??
Será que só a casca maltratada pela maturidade............?
Ou também o interior.............?

Tento sem êxito colá-la de volta ao tronco.............. só pra ser alimentada com um pouco mais de esperança........

É então que eu ouço passos ao longe...........
Me desespero e tento reanimar................
.............mas em vão............ CREC...........................!
20:53:00

Caos gritante

(por Fernando Maziviero)

O gritante contraste contraditório da insana e perturbada merdópoles.

O gritante berra e suplica pra ser ouvido, entendido, atendido, mas.....
não encontra coração audível.

O pedinte suplica, o velho implica, a "muié" do HIV explica, o bêbado oras.....complica!
A criança descomplica e o pobre se aplica....

De resto..... bom, o povo, vítima ou culpado, se comporta (ou sem porta) se conforma, ou fica em forma de que...... pouco importa!

Mas a grande maioria, alienada, no nada do seu vazio. fúteis, inúteis, volúveis, flutuam infiéis em cruéis nuvens imaginárias de seu mundo separado, parado, abobado...... ah.......pior, pensam demais que são os mais......

O gritante chora e geme, sem ajuda sem auxílio. Nem recebem, nem têm quem os sustentem, nem dos mais e nem mesmo dos menos.

Olhos vidrados e trincados, se estilhaçam em cacos de navalhas de cortantes lágrimas, que perfuram o cinzento insensato, sem sentido, do asfalto acimentado.

O gritante contrasta na desgraça sem graça de um mundo......
que passa, que passa, que pas.........
11:36:00

Lamentações de um cidadão paulista.....

(por Fernando Maziviero)

A cidade nos comprime.

Feito gados em direção ao matadouro, somos conduzidos por estreitíssimos corredores, e apertando-nos uns aos outros, num lento e hipnotizante caminhar, saímos desta intempérie para sermos enlatados em peçonhentos bichos de metal.

E se no meio você parar.....
Ah, se você parar......
Não queira parar....!

A diferença é que, ao contrário dos gados, não caminhamos para a imediata morte, pelo menos não física.....
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