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Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens
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11:33:00

A perda do foco.

(por .Fe.Mazi)

É sabido que a Arte tem uma relação peculiar como íntimo humano. A Arte de um modo geral reflete o estado interior do homem. Somente á humanidade foi concedido o dom da criação. Somente o homem pode produzir cultura. E é óbvio que essa produção reflete o produtor.

Tocando no ponto das Artes Plásticas, campo onde acredito ter alguma autoridade pra falar, esta se perdeu em algum momento. Talvez seja uma visão um tanto quanto radical, e que já comentei aqui em outras ocasiões, mas essa Arte Contemporânea que contemplamos hoje, claro que com as devidas exceções, perdeu seu foco em discussões vazias e infrutíferas.

Ao observar tais obras, fico a imaginar o estado interior daquele que a produziu. E tudo se torna relativo, não pode-se dizer o que é Arte e o que não é. E isso remete á velha história, se tudo é então nada é.

Vivemos em épocas de relativismos. Não existe o errado, não há valores, tudo é Arte tudo é Deus. Afirmar qualquer coisa é sinal de intolerância. E a Arte se torna o termômetro do homem, seu espelho, seu raio-x. Vemos pelo prisma da Arte o caos interior do homem.

É necessário reencontrar o foco. Apontar novamente para o Norte de nossas vidas.
10:57:00

A vermelhidão do vermelho.

(por .Fe.Mazi)

O cenário das Artes Plásticas sempre foi caracterizado pelo protesto, pela polêmica. Os movimentos surgidos ao longo da História, nos mostram que dificilmente um movimento era aceito pacificamente ao inaugurar sua "nova forma" de ver o mundo. Somente para mencionar os mais recentes, assim foi com o Cubismo, com o Impressionismo, com a era da Arte Moderna. Enfim, o estranhamento por parte do público sempre permeava o surgimento de um novo movimento.

Presenciamos atualmente a era Contemporânea das Artes Plásticas, marcada mais do que nunca, pela polêmica de seus artistas. É uma era de muita riqueza, de novos experimentos e técnicas, de quebra de tabus e protesto. Mas penso que, talvez em algum ponto depois do início dessa contemporaneidade, a proposta tenha se perdido.

Voltando aos primórdios da Arte Contemporânea, observamos artistas como Andy Warhol, Marcel Duchamp trazendo propostas bem definidas como o ready made, mas ao que parece a era do "tudo é arte" chegou á um certo extremo. Qualquer tentativa de definir parâmetros é violentamente repudiada sob o argumento de que a liberdade do artista deve estar acima de tudo. Não se pode prendê-la, podá-la.

Tive um excelente professor na Faculdade que dizia que em algum momento a Arte Contemporânea se perdeu, chegando hoje a questionar coisas como "A vermelhidão do vermelho". E o que isso nos traz? O que nos acrescenta?

Uma amiga me contou um episódio ocorrido numa exposição que visitava. Uma mulher se aproximou de um toco de madeira colocado no salão e cansada, se sentou, quando de repente um homem chegou e lhe disse: "Com licença, mas você está sentada em minha obra." A mulher desconcertada se levantou e saiu.

A partir deste episódio infame, eu questiono se a "culpa" recaí sobre o povo, que não é artisticamente alfabetizado ou sobre o tempo que vivemos nas Artes. Qual será o destino dessa Arte, mais ainda, qual sua função junto á sociedade?
12:24:00

A arte de sofrer.

(por .Fe.Mazi)

O ato de criar é próprio da raça humana. Muitos fatores constituem o complexo processo criativo. Destaco aqui um dos elementos que fundamentalmente compõem os acordes da orquestra criativa: o sofrimento.

"O sofrimento é a fonte da criatividade." - frase ilustre do filósofo Arthur Schopenhauer, ilustra bem os rumos do processo criativo.

O artista, seja qual for a sua arte, é aquele que vê o mundo pelo prisma da Arte, e isso não é romantismo vazio. Arte é um jeito diferente de enxergar o mundo, e não se separa o artista do homem. Não é possível ser artista em determinados momentos e deixar de ser em outros.

A dor, a derrota são matérias-primas, oprotunidades de interpretação. Onde o homem muitas vezes pára, o artista vê além, não pára na dor mas extrai arte dessa dor. Sendo assim o sofrimento torna-se porta e não parede.O sofrimento de um modo geral, uma perda, uma derrota, uma frustração enfim, pode ser fértil ou infértil. O artista deve ser aquele que semeia a criatividade com o adubo do sofrimento.

Da mesma forma é necessário enxertar arte em nosso cotidiano, e olhar o mundo através da arte não é privilégio daquele que pinta, desenha ou esculpi. É muito mais atitude interior, tornar-se um artista da vida, na vida e assim transformar a vida em arte, fazendo até mesmo do sofrimento fonte de inspiração.

"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte." - Mahatma Gandhi.
11:07:00

A Arte de Platão.

(por .Fe.Mazi)

Platão, expoente filósofo e discípulo de Sócrates, via a Arte como aquela que esconde a verdade, corrompe e deseduca. Tal pensamento para mim é de certa forma revoltante, mas é necessário contextualizá-lo, para que não haja julgamentos equivocados.


A filosofia platônica explica a origem de nosso mundo através do Mundo das Ideias. Tal mundo se encontra acima do nosso e abriga o Demiurgo, um deus bom que não cria, mas plasma as ideias. Que ideias? As que se encontram no tal Mundo das Ideias. Ali estão a justiça, a bondade, a verdade, a beleza, ou seja, se algo em nosso mundo é bom é porque participa da bondade que existe no mundo das ideias, se alguém é belo, este não é por si mesmo, mas porque participa da ideia de beleza que existe no Mundo das Ideias, e assim por diante.

Sendo assim, nosso mundo é "cópia" do Mundo das Ideias. Fundamentado por sua filosofia, Platão diz que a Arte distancia o homem da Verdade, já que esta é "cópia da cópia". Imitação da imitação.

Além disso Platão prega que o artista quando produz uma obra entra numa espécie de "transe", não estando consciente de suas ações.

Platão nega que a Arte seja dotada de valor em si mesma, mas pode se salvar submetendo-se às regras da Filosofia.
09:46:00

A crise da beleza.

(por .Fe.Mazi)

No mundo artístico, comumente questionamo-nos á respeito do que é belo? Nas artes plásticas mais especificamente, nos perguntamos o porquê de um "rabisco" ou um monte de manchas serem classificados como "obra de arte". Qual seria a referência de análise? O que é algo belo? Ou Belo?

Existe uma crise á respeito da beleza, e não afirmo isso embasado por minhas próprias convicções. De fato, a beleza de um modo geral parece ter perdido seu Norte. Mas por que então focar a Arte? Por quê partir desse prisma? A Arte parece ser detentora de uma caráter profético. Devido ao seu íntimo relacionamento com o humano, esta parece presentir e denunciar o que está por vir. A crise humana se exterioriza na crise artística.

A falta de um Norte na Arte parece ser, nada mais nada menos, do que um indicativo de como a própria sociedade se encontra guiada por pseudo-valores. Tudo parte do consenso da maioria, e assim caminha a humanidade. É a era do subjetivismo e do relativismo. O contrário pode ser classificado como ditadura. A arte moderna, no início do século XX, ainda mostrava segurança nos rumos a serem seguidos e a própria sociedade ainda era imbuída de determinados valores. Com o advento da arte contemporânea a partir da década de 60, 70, aos poucos o caminho foi se tornando obscuro. A névoa do subjetivismo foi tomando conta da estrada a ser percorrida.

Beleza no grego antigo é Kalón, a mesma palavra usada para amor, bondade e justiça. Ou seja, aspectos da sociedade que também se tornaram relativos. Fazendo uma caminhada histórica desde a Grécia antiga, observamos que o Belo tinha um caráter bem objetivo, como já dizia tanto Platão quanto Aristóteles: "A beleza é o esplendor da verdade." A beleza tem um sentido objetivo; é ou não é, e independe do meu subjetivo, do meu gosto, está ligada á um sentido superior. Santo Agostinho dizia: " As coisas são belas porque agradam, ou agradam porque são belas? Respondo sem vacilar: agradam porque são belas."

O artista sacro Cláudio Pastro diz em um de seus livros: "A beleza é o reflexo e o termômetro de uma sociedade em crise, pois de todas as crises a mais afetada é a da beleza."

O sentido cristão, e acredito também o judaico, o budista, tem algo muito bem definido á respeito da beleza e do seu porquê. A beleza não existe apenas para um deleite pessoal, para o prazer dos sentidos. Nesse conceito a beleza nos arrebata e nos transfigura em direção ao Uno, para sermos um com aquele que é por assim dizer, o Deus da Beleza.

É necessário uma reavaliação da beleza e de seu papel, de sua função, do seu porquê. Termino com Dostoiévski (em O Idiota): "A beleza salvará o mundo." ...........mas que beleza....?
16:55:00

O porquê de um artista.

(por .Fe. Mazi)

O artista é alguém comprometido com a verdade, de um modo geral. Exatamente por sua postura de captar a essência das coisas, não pode abrir mão da verdade.

Primeiramente o artista é comprometido consigo mesmo, sua verdade. Ele plasma materialmente essa verdade. Sentimentos ganham cores, melodias e movimentos. Angústias e desejos são eternizados no mármore ou na lente da câmera.

"Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela,mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol. " - dizia Pablo Picasso com sabedoria.

Além do compromisso consigo, o artista não deve se alienar. Apesar de muitos exemplos na história, de artistas que, incompreendidos, se isolaram e fizeram de sua vida uma reclusa obra de arte, descoberta muitas vezes somente após sua morte.

Ainda assim, o artista tem um responsabilidade social, que não pode simplesmente fingir não ter. Sua responsabilidade é de eliminar o supérfluo e representar, ou apresentar o essencial. Mostrar que o sol não é uma mancha amarela, mas sim...... o sol.

O artista pode denunciar e exibir uma crítica como ninguém mais é capaz de fazer. Plasmar a verdade por assim dizer, acredito ser o porquê de um artista. É o meu.
12:08:00

A comercialização da Arte.....

(por Fernando Maziviero)

Num mundo onde tudo se vende, tudo se comercializa, penso que a arte, como um todo, não em sua esfera material, palpável, mas em sua esfera transcendente, é uma exceção, talvez a única.

A arte em si, sua essência, não é possível de se comprar, não se vende, por nenhum preço material. Sendo assim, pode-se ter um grande acervo pessoal, mas não ser possuidor de nenhuma das obras.

Acredito que o capitalismo, em nenhuma de suas formas, conseguiu e nem conseguirá, alcançar o verdadeiro valor da arte.

No entanto, esta exige algo de seu "comprador". O "preço" de sua compreensão, de sua abertura e ezvaziamento. Aí está o verdadeiro preço de uma obra!

Digo abertura por que se deve estar disposto a receber o que a arte tem a nos oferecer, e afirmo que é preciso esvaziar-se, pois é necessário abandonar os conceitos pré-formados, os julgamentos superficiais e pré-concebidos, para se encher do novo que a obra contemplada nos apresenta.

Esta tem muito a nos dizer, mas se calará se nos julgarmos suficientemente cheios e capacitados para analisá-la.
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